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  • Sílvio Kniess Mates

A Hipnose no tratamento da depressão: Todas as respostas




De que forma pode a hipnoterapia ajudar a curar a depressão?

Na minha opinião, o uso da hipnose na ajuda da depressão é o mais adequado para acelerar o processo de terapia e encurtar notavelmente o tempo de tratamento. A hipnoterapia é uma técnica natural, inócua e que faz uso dos poderosos processos internos para, em transe, identificar pontos importantes que possam ter contribuído para o desenvolvimento da depressão, mostrar novos caminhos e possibilitar a mudança. Essa mudança de dentro para fora não é imposta, mas descoberta numa espécie de mergulho introspectivo que o estado de transe permite, pois a hipnose ajuda a pessoa a reconhecer que o sucesso e a derrota fazem parte da história de cada ser humano. Na verdade, a hipnoterapia permite experimentar essas experiências de forma intuitiva, plena e vibrante e, para sua agradável surpresa, o paciente desperta do transe hipnótico com a certeza quer possui os recursos internos necessários para fazer a mudança, ao mesmo tempo em que possibilita a elaboração de estratégias para poder viver a vida mais plena e de forma criativa.

Ao contrário do que algumas pessoas pensam, a depressão tem cura. Se pensarmos que a pessoa deprimida, por norma, tem pouca auto-estima e humor deprimido. Vive o dia-a-dia sem energia, angustiada e com menor disposição para actividades quotidianas. Para o deprimido a maioria das experiências diárias que lhe acontece são consideradas negativas, pois o desânimo e uma tristeza profunda são os sentimentos predominantes, assim, entendo que é de extrema importância que a pessoa ao perceber os sintomas procure ajuda de um bom profissional. Independente da abordagem encetada, quanto antes for iniciado o tratamento mais rápido a pessoa voltará à sua vida normal. Pois entendo que não há coisas boas ou más na vida, mas oportunidades de crescimento.




A hipnoterapia pode ser usada como prevenção da depressão?

Sem dúvida alguma, a hipnose pode ter um papel fundamental na prevenção de estados depressivos. Nomeadamente, o uso da auto-hipnose, que qualquer um pode aprender facilmente em poucas sessões. Aliás, sou da opinião que o uso e ensino da auto-hipnose devem ser contemplados em qualquer processo terapêutico, em que utilizamos o transe hipnótico na psicoterapia. Por exemplo, na minha clínica salvo raras excepções, recomendo o seu uso em qualquer processo terapêutico, sobretudo como estratégia de ajuda na depressão e temos muito sucesso nessa abordagem. Como diz o adágio: “Se alguém tem fome não lhe dês um peixe, mas ensina-o a pescar…” A auto-hipnose ensina-nos a pescar nas águas turbulentas, em que muitas vezes se transformou a nossa vida. Gosto de dizer que a nossa evolução filogenética, com que a natureza dotou os nossos cérebros, programou-os para entrar em estados de transe de forma biológica. Ou seja, a hipnose é um estado da mente que todos nós experimentamos naturalmente, ao longo do dia. Por exemplo, ao conduzir o carro, pode não se lembrar que está conduzindo e nem dá por o trajecto passar até chegar a casa. Isso acontece porque entrou num processo automático, quer dizer, entrou em estado Alpha, vulgo hipnose. O estado hipnótico natural também acontece quando está enamorado, lê um bom livro, vê um filme interessante ou em qualquer outra actividade rotineira, onde todas as outras coisas parecem ter sido “bloqueadas”. Em qualquer circunstância onde seja necessária uma grande concentração, automaticamente, a mente se transfere para um estado hipnótico natural, pois somos geneticamente concebidos a entrar em processos biológicos e naturais de transe. Somos biologicamente completos, mas como seres humanos que dão significação às experiências, somos diferentes, multifacetados e complexos. Contudo as regras com que a natureza dotou os nossos cérebros são bastante claras. As emoções tem prioridade, a lógica pode esperar. Em hipnose descobrimos que o normal é estar tranquilos, equilibrados e serenos, olhando para as dificuldades como oportunidades de crescimento e que devemos despertar para as experiências da vida com um respeito e um significado mais profundo.

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Como seria a primeira sessão de hipnoterapia para um doente depressivo?

Vivemos tempos árduos plenos de incertezas e angústias penso que é importante conhecer um pouco mais de nós qual o nosso papel no contexto pessoal, familiar e social. Mas, para isso, importa conhecer-nos um pouco, conhecer os nossos pensamentos, emoções e idiossincrasias. Parece um paradoxo, mas as pessoas sabem pouco sobre a pessoa mais importante da vida delas, quero dizer, cada um de nós. Há pessoas que se sentem um estranho dentro do próprio corpo, não sabem o que se passa na sua mente e que lhes compete apenas fazer as suas escolhas para dar um verdadeiro significado à sua existência. E isso não tem a ver com questões transcendentes, religiosas ou metafísicas trata-se, sobretudo, de poder ter oportunidade de viver a vida de forma erguida, digna e completa. Uma sessão de hipnoterapia decorre de moldes idênticos a uma sessão de psicoterapia comum: anamnese, história clínica, interpretação de factores biológicos, psicossociais e psicodinâmicos também são sempre equacionados na primeira sessão. Normalmente, o estado hipnótico acontece a partir da segunda sessão, isto é, depois de analisar o historial do paciente, os seus medos, os receios e resistências ao processo hipnótico são utilizados diversas técnicas para provocar o transe hipnótico. Em momento algum o paciente perde o controlo do que se passa na terapia podendo, mesmo em transe, despertar do sono hipnótico quando assim lhe aprouver. O hipnoterapeuta é nada mais que um guia, um facilitador, que encaminha o paciente ao mundo fascinante das suas emoções, a reconhecer os seus desejos, traumas e carências numa viagem maravilhosa aos recônditos da sua mente. A partir daqui a terapia é considerada como mais breve, rápida e efectiva que os outros métodos psicoterapêuticos. Porquê? Porque faz uso dos próprios recursos internos para promover a auto-cura, já que a hipnoterapia parte do pressuposto que somos auto-curáveis.

A origem da depressão está sempre nas nossas vidas passadas, como defende? Não pode ter outras causas, neste caso neurobiológicas e também sociais?

Actualmente,   a  depressão  é  vista  como  uma  doença multifactorial, onde estão envolvidos factores genéticos, biológicos, psicodinâmicos e psicossociais. Mas importa referir que a depressão não é uma espécie de “virose”, que se pode apanhar por contágio como se fosse uma gripe qualquer, para se estar deprimido é porque existe um somatório de causas e factores que todos somados levam a pessoa ficar “esgotada”, sem soluções para aquilo que constantemente lhe acontece na vida. Naturalmente, estamos todos de acordo, que um evento circunstancial forte e traumático também pode despoletar a tão famigerada depressão. Estou a pensar na perspectiva de desemprego, dramático nos tempos que correm, uma perda familiar importante, também a pressão que todos estamos sujeitos para ser o estereótipos que a sociedade de cariz consumista nos impõe tudo isso são factores a ter em conta e que podem levar à depressão

Creio que alguém que olha para as circunstâncias da vida, seja elas quais forem, sempre como dificuldades e que sentem que precisam um grande esforço para as ultrapassar como se repetissem um padrão negativo que atraem para si, pela minha opinião, a pessoa está a sofrer um estado anímico pobre e sem recursos internos. E esse estado é nada mais que o resultado de várias experiências e recalcamentos mal ultrapassadas do seu passado. E essas experiências podem ser traumas da infância, na vida intra-uterina. Ou talvez possam estar enraizado a níveis pré-primários da própria organização mental. Obviamente, não me repugna que possam ser experiências de vidas passadas mal compreendidas, e que ficaram por resolver, mesmo que não possa provar por evidências científicas esses relatos absolutamente fantásticos, mas com um poder de auto-cura impressionante. Compreendo que falar em experiências passadas assusta muita gente e, naturalmente, também aceito que parte das experiências vividas em transe hipnótico possam ser confabulações, relatos oníricos ou desejos inconscientes. Mas o mais importante é a forma como o paciente sai da sessão: mais vivo, intuitivo e com maior capacidade de lidar com perdas e contrariedades e passa a dar à vida o seu justo valor. Quero dizer que considero “O Método Científico” uma das maiores conquistas da humanidade, mas podemos aplicar a hipnose de regressão sem perder a coerência científica. E porque não utilizar os construtos internos – sejam eles, relatos oníricos, fantasias e metáforas inconsciente -, mesmo sem premissas científicas, para promover a cura de quem sofre?

De acordo com a sua experiência clínica, porque crê que as mulheres são mais afectadas pela depressão do que os homens?

A perturbação depressiva pode ocorrer tanto em homens como em mulheres, de todas as idades e de qualquer classe social. Contudo, os estudos apontam que a incidência é substancialmente maior entre as mulheres do que entre os homens, numa proporção aproximada dois casos de mulheres por cada caso de homem. Até ao momento não existe uma explicação científica suficientemente coerente, que justifique o facto de o género feminino ser mais sensível à depressão. Há várias teorias, a mais referida é a que relaciona o aparecimento dos sintomas depressivos às hormonas femininas. Ou seja, o constante desequilíbrio hormonal parece estar associado a uma maior incidência no aparecimento da depressão, mas importa referir que persistem  ainda dúvidas  relativamente  à  sua origem. Na minha experiência pessoal como clínico leva-me a crer que a incidência da depressão no género feminino é ainda mais elevada do que os números parecem mostrar, mas entendo que as mulheres são mais arrojadas em procurar terapias alternativas que os homens. Daí, o número elevado de mulheres que ousam recorrer à hipnose no tratamento da depressão.

Espero que este meu pequeno contributo possa despertar o interesse pela técnica. Existe ainda muito a fazer para divulgar esta abordagem terapêutica absolutamente fantástica, para que mais pessoas possam recorrer a ela. Termino, não sem antes deixar uma reflexão para que a possibilidade do uso da hipnoterapia pode fazer a diferença, como uma das mais importantes na cura dos males das sociedades modernas.


Autor: Alberto Lopes Fonte: https://www.hipnoseeregressao.com/a-hipnose-no-tratamento-da-depressao-todas-as-respostas/

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